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Saúde Indígena

A Cicatrização da Floresta: Os Desafios e Avanços na Saúde do Povo Yanomami

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Após a crise humanitária de 2023, o Brasil reforça a presença médica na maior reserva indígena do país, reduzindo as mortes por malária e fome

As imagens de crianças indígenas esqueléticas e adultos definhando acometidos pela malária chocaram o mundo no início de 2023, expondo o abandono estrutural do território Yanomami, localizado entre Roraima e o Amazonas. Desde então, o Brasil declarou emergência em saúde pública de importância nacional, iniciando uma megaoperação para resgatar a dignidade e a vida da maior reserva indígena do país. Anos depois, os números mostram que o cenário melhorou, mas a guerra contra a destruição da floresta está longe do fim.

O Declínio da Desnutrição e da Malária

A resposta do Estado envolveu a contratação massiva de profissionais de saúde, com um aumento superior a 160% no efetivo médico dentro do território. A instalação de Centros de Referência em Saúde Indígena permitiu que a esmagadora maioria dos casos fosse resolvida nas próprias aldeias, respeitando a cultura local e evitando o estressante deslocamento de pacientes para hospitais lotados em Boa Vista.

Os resultados epidemiológicos começaram a aparecer. Houve uma queda vertiginosa superior a 70% nas mortes infantis causadas por desnutrição grave. A malária, doença que corria livre pelas comunidades carreada pelos mosquitos que se reproduziam nas crateras d’água do garimpo, também viu seus índices de mortalidade despencarem. A distribuição de alimentos, suplementos nutricionais e antimaláricos foi vital para estancar a sangria populacional.

O Fantasma do Garimpo Ilegal

Contudo, médicos e antropólogos alertam que a saúde indígena não se faz apenas com remédios. A raiz da doença no território Yanomami tem nome e CNPJ: o garimpo ilegal. A extração de ouro contamina os rios com mercúrio, um metal pesado altamente tóxico que destrói o sistema nervoso central. O mercúrio se acumula nos peixes, base da dieta indígena, provocando má-formação fetal e doenças neurológicas incuráveis.

Enquanto houver garimpeiros invadindo a floresta, desmatando, poluindo os rios e introduzindo novas doenças respiratórias nas comunidades de recente contato, a atuação do Ministério da Saúde será apenas um trabalho de “enxugar gelo”. A verdadeira cura para os Yanomami não está nas farmácias, mas na preservação intransigente de suas terras e na expulsão definitiva do crime organizado ambiental.